As perseguições com veículos mais falsas, absurdas e exageradas da história do cinema

Velozes-e-mentirosos

Uma boa perseguição é capaz de salvar um filme mediano ou uma história fraca — Bullitt está aí para provar isso. Por outro lado, o cinema tem essa fantasia de transformar o impossível em realidade, só que às vezes os diretores e produtores exageram na dose e arruínam uma boa história com cenas impossíveis e absurdas. 

Velocidade Máxima (Speed – 1994)

“Uau, ‘Velocidade Máxima’ esse deve ser um filme com muita velocidade e adrenalina”. É… deveria, mas na verdade é sobre um ônibus metropolitano que teve uma bomba instalada em seu velocímetro e não pode andar a menos de 80 km/h para não detoná-la. No mundo real a polícia desviaria o ônibus para uma rodovia até resolver a situação com o terrorista, mas você sabe como é Hollywood, as decisões são sempre as mais difíceis e ele começa a andar pelos arredores de Los Angeles.

Na verdade a trama não é ruim, nem as cenas em alta velocidade, mas em certo momento o ônibus entra em um viaduto não terminado com um vão de 20 metros e adivinhe só o que acontece? Claro, ele salta! Sim, um ônibus de sete toneladas a 100 km/h completa um salto digno do WRC – e sem rampas!

E tem mais: depois de aterrissar ele continua rodando normalmente, como se tivesse passado por uma lombada sem frear. Essa é a Viação Hollywood.

Singham (Singham – 2008)

Acredite: Singham é um dos filmes mais interessantes de Bollywood (a Hollywood indiana). Ele tem aquele ar trash dos filmes de ação dos anos 1980, mas com um roteiro plausível e recursos do século XXI. A história se resume a um policial honesto que ferra a vida de um mafioso e acaba transferido para o departamento mais corrupto da polícia indiana. Sem poder fazer seu trabalho, ele decide acabar com a corrupção por conta própria, no maior estilo Capitão Nascimento.

O roteiro é bom mesmo, mas o que fez o filme ficar famoso de verdade foi o final de uma das cenas de perseguição, com direito a uma capotagem causada por um tiro no pneu, um cavalo-de-pau por inércia e a captura mais chucknórrica da história do cinema policial.

60 Segundos (Gone in 60 Seconds – 2000)

Antes de tudo, nós adoramos 60 Segundos. Sério, ele tem suas viagens (como os cachorros que comem e evacuam as chaves dos carros) mas ele foi o filme responsável pelo revival da cultura automotiva e dos muscle cars no cinema e no mundo real. A seleção de carros é matadora, temos Angelina Jolie antes de sua paranóia messiânica e boas cenas de perseguição… exceto por dois detalhes na sequência final do filme, quando Memphis Raines finalmente se reencontra com Eleanor.

O primeiro é aquela fuga em marcha à ré. Ok, nós sabemos que Raines (e Cage) manda bem no volante e sabe domar um muscle car clássico e bruto, mas fugir de ré  — a, sei lá, 60 km/h — de frente para um caminhão é o que meus pais chamariam de marmelada. A outra é quando os tiras fecham a ponte impedindo a passagem de Eleanor. Raines simplesmente usa o caminhão plataforma como rampa e decola como se estivesse em um P51 Mustang, e não em um Ford de uma tonelada e meia. E tem mais: depois de sobrevoar uns 15 metros e aterrissar com toda a brutalidade de um muscle car, ele ainda consegue sair rodando como se fosse o Focus de Colin McRae.

No filme original, o salto é bem mais realista — na ação e no resultado. Um salto menos exagerado não faria “60 Segundos” um filme pior. Não mesmo.

Alta Velocidade (Driven – 2001)

Sabe por que todos gostam do boxeador “Rocky”? Por que ele não é um super herói. Ele apanha e se ferra demais para conseguir se tornar o maior de todos. A mesma coisa acontece com John Rambo, no primeiro filme da série. O cara é zoado pelos tiras babacas e tem sérios distúrbios psicológicos remanescentes de seu tempo no Vietnã. São humanos falíveis, como nós.

Mas parece que Sylvester Stallone não entendeu isso e, depois de “Cobra” todos os seus personagens são durões e infalíveis e casca-grossa. E isso inclui o papel de Joe Tanto em “Alta Velocidade”. O filme que conta a história de um piloto novato e vitorioso que acaba pressionado psicologicamente e recebe a ajuda de um veterano das pistas (Stallone). A certa altura, o garoto discute com seu par romântico na apresentação dos novos carros da Indy e sai por Chicago acelerando um deles. Stallone pega o outro carro e vai buscar o garoto em uma perseguição cheia de manobras impossíveis e situações das quais só Sylvester Stallone consegue se safar — como desviar a cabeça de uma tampa de bueiro a 300 km/h.

Carga Explosiva 2 (Transporter 2 – 2005)

Jason Statham, com sua cara de Bruce Willis politicamente incorreto, fez fama por suas atuações nos filmes de Guy Ritchie — em especial Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch. Só que depois que os americanos descobriram o potencial do cara para papéis de ação, ele virou uma espécie de Chuck Norris metrossexual. Isso fica evidente em “Carga Explosiva 2″, no qual Statham volta a atacar como motorista da família Billings e desta vez ajuda a encontrar o antídoto para um vírus altamente letal introduzido no filho de seu chefe, que fora sequestrado.

Em certa altura, durante uma fuga, os vilões plantam uma bomba no chassi de seu Audi A8. Como ele remove o explosivo prestes a ser detonado? Ele encontra um guindaste perto de uma rampa, dá um parafuso com o carro de forma que a bomba fique presa no guindaste enquanto o carro aterrisa seguramente. Fácil.

Velozes e Furiosos 6 (Fast & Furious 6 – 2013)

Como dissemos na Pergunta do Dia, a série com exceção do primeiro e do terceiro filme, a série Velozes e Furiosos deixou de ser sobre carros e se tornou uma história de ação que por acaso tem uns carros bem legais. Muita gente já torceu o nariz para as cenas de fuga e perseguição de “Velozes e Furiosos 4″ (como aquelas nos túneis da fronteira com o México), e depois da cena do cofre arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro em “Velozes e Furiosos 5″, ficou difícil imaginar que as perseguições pudessem ficar mais surreais e impossíveis, mas os produtores conseguiram.

Em “Velozes e Furiosos 6″ há, pelo menos, duas cenas de perseguição absurdas. A primeira delas é a cena do tanque. São tantos erros que fica difícil enumerar, mas o mais descarado é o tanque capaz de chegar a toda aquela velocidade — e sem perder velocidade ao esmagar carros vindo no sentido contrário. Outro é quando o Escort empurra os destroços do Mustang, como se um carro esmagado ficasse mais leve só por que mudou de forma.

Depois, temos a cena do aeroporto. Essa desagradou até mesmo os fãs que não se importavam com os outros absurdos. Na verdade, ela é tão impossível que gerou uma série de análises na internet — com direito a um vídeo do genial nerd de Engineering Explained — que concluíram que a distância percorrida durante a perseguição na pista do aeroporto precisaria de nada menos que 45 km para ser verdadeira.

 

Irmãos Cara de Pau / Irmãos Cara de Pau 2000 (Blues Brothers – 1980 / Blues Brothers 2000 – 1998)

A perseguição de Blues Brothers (1980) entra na lista não por sua tosquice, que aqui é proposital, mas por ser hilária de tão exagarada. Na sequência final do filme a dupla precisa despistar a polícia para chegar ao show que está agendado para a mesma noite, mas obviamente eles acabam descobertos e passam a ser perseguidos… por todas as viaturas do departamento de polícia. Dizem que foi a perseguição que mais destruiu carros na história do cinema. Da última vez perdi as contas em 110 carros.

Na “continuação” do filme, gravada em 1998 e sem John Belushi (que morreu em 1982), os Blues Brothers se envolvem novamente em uma perseguição e, mais uma vez, têm a polícia inteira na sua cola. O resultado não poderia ser diferente: mais exagero e destruição, porém com a barra mais forçada e menos engraçada que no antigo filme.

 

200 Km/h (200 MPH – 2011)

Você certamente não conhece esse fiasco em forma de filme pois ele jamais foi exibido nos cinemas. Ele é um daqueles filmes de baixo custo feito exclusivamente para vídeo. A ideia aqui é fazer um filme policial envolvendo uma cena de corredores de rua (sim, você já viu essa história antes), mas além do título terrível, ele traz o pior efeito de computação gráfica já visto em um longa-metragem. Sério, você não vai acreditar no acidente com o GT-R, nem no Chevy Volt que cruza o caminho da fuga “alucinante”.

É o que acontece quando você tenta fazer um filme maior que o seu orçamento. Ou seu talento.

Alluda Majaka (Alluda Majaka – 1995)

Todo mundo sabe que a Índia é insuperável quando se trata de fazer cenas de filmes impossíveis. Alluda Majaka não tem título em português e, para falar a verdade, ele não fez muito sucesso fora da Índia na época do seu lançamento — afinal, o YouTube só seria inventado dez anos mais tarde. Foi quando a cena de perseguição mais bizarra da história caiu nas graças do público de todo o mundo.

Por ser um filme indiano, a gente tende a achar que toda essa tosquice é fruto de uma indústria cinematográfica sem muitos recursos — o que até poderia ser verdade em 1995 —, mas acontece que Alluda Majaka é um filme propositalmente cômico trash. E que fica bem melhor por ser ambientado na Índia. Quem mais pensaria em deslizar com um cavalo por baixo de um caminhão como se fosse um motoqueiro hollywoodiano em uma motocross?

Fúria em Duas Rodas (Torque – 2004)

“Fúria em Duas Rodas” conta a história de duas gangues de motociclistas — uma criminosa e outra nem tanto — e um cara acusado injustamente pelo assassinado de um de seus rivais. Como todo filme com alguém injustamente acusado de algo, o cara tenta resolver seu problema por conta própria, mas nesse meio tempo corre o risco de ser assassinado como vingança da gangue rival.

O problema é que, sendo um filme sobre motos — como Easy Rider, O Selvagem ou The Wild Angels — o foco deveria estar na cultura motociclística, mas nesse caso, parece que o diretor gastou todo o orçamento em outra coisa e deixou a perseguição por conta da computação gráfica. Não bastasse isso, o roteiro da perseguição é patético: uma superbike a jato (uma MMT Y2K) que estoura vidros e derruba pessoas corre a 300 km/h em meio ao trânsito enquanto uma moto tipo chopper a persegue na mesma velocidade. Ninguém espera que as leis de trânsito sejam respeitadas em uma perseguição, mas eles poderiam ao menos levar em consideração as leis da física.

Fonte: FlatOut

Um comentário

  1. Gustavo
    Gustavo 30 de junho de 2016 em 09:26 .

    Recomendo.

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